José Amâncio de Sousa Filho

Trio Parada Dura grava músicas do Acadêmico José Amâncio de Sousa Filho


Taça de Ouro

Composição: Desembargador José Amâncio / Leonito

Taça de ouro é o nome de uma casa
Frequentada por pessoas de alto padrão
Mulheres lindas, extravagantes, perfumadas
Damas da noite que alucinam corações
Danças eróticas, bebidas variadas,
Onde a luxúria desempenha seu papel
Ali tentei afogar as minhas mágoas
Mas minha taça transformou em taça de fel

Taça de ouro, falsa ilusão
Você jogou-me nos braços da solidão
Taça de ouro é o seu papel
Fez minha taça transformar taça de fel

Final de noite a boate já vazia
Finda a orgia então pude perceber
Vender carinhos é o papel das mariposas
E eu buscava muito mais do que prazer
Embriagado cambaleando pelas ruas
Voltei depressa pra rainha do meu lar
Naquele instante vi meu mundo ir ao chão
Ela se foi – se cansou de me esperar

Taça de ouro, pura ilusão
Você jogou-me nos braços da solidão
Taça de ouro é o seu papel
Fez minha taça transformar em taça de fel


Pernilongo macho

Composição: Desembargador José Amâncio e Leonito

Na minha casa na beira do brejo
tenho o privilégio de ouvir os sapos
ouço sapo, perereca e grilo,
esse é o lado bom, mas tem o lado chato
tem um bichinho que só atormenta
é o pernilongo com sua “zueira”
minha vizinha não dorme tranquila
diz que ele pica e chupa a noite inteira

PICA NELA A NOITE INTEIRA
ELA ROLA PRA LÁ E PRA CÁ
PICA NELA A NOITE INTEIRA
TODA NOITE ELE QUER PICAR

Parece até ser coisa do pecado
acho que é o pernilongo macho
só ataca mulher bonita
chupa por cima e pica por baixo
até então eu durmo tranquilo
mas a vizinha ele está picando
ele geme no ferrão do bicho
acho até que se acostumando

PICA NELA A NOITE INTEIRA
ELA ROLA PRA LÁ E PRA CÁ
PICA NELA A NOITE INEIRA
TODA NOITE ELE QUER PICAR.


Locutor amigo

Composição: Desembargador José Amâncio / Leonito / Edna Teixeira

Amigo locutor
Coloque por favor
Minha ligação no ar
Através de seu programa
Quero falar com quem amo
Preciso desabafar

Sei que do outro lado
Seu rádio está ligado
Ela jamais perde um programa seu

Nosso amor é proibido
Com outro já tem compromisso
Mas o amor da sua vida sou eu

Caro amigo locutor
Ela é a mulher mais bela
Foi a única maneira que encontrei
Pra revelar tudo o que sinto por ela

Sei que está me ouvindo
Não vou demorar
Vida minha só sei te amar
Tudo em mim é solidão
É uma barra esta paixão
Vem correndo me encontrar

Estou quase louco
Vou morrendo aos poucos
Solidão atiça meus desejos

Amor preciso desligar
Confesso mal posso esperar
Pra saciar minha fome de beijos


Era virtual

Composição: Desembargador José Amâncio e Leonito

Hoje estamos na era virtual
É um tal de namoro pela internet
Eu entrei num bate papo com amigos
E conheci uma tal de janete
A sem vergonha pôs a foto da filha
Que aparentaa dezoito anos de idade
Apaixonei-me pela foto e pela voz
Imaginei ser minha cara metade

Não tinha nada a ver com o que sonhei
A coroa já passava de “titia”
Por um ano alimentei esta ilusão
Falando com a velha e sonhando com a filha

Toda vez que eu acionava o “orkuit”
Ou o “msn’ eu flutuava
Pelo fone aquela voz em meus ouvidos
Cada vez ainda mais me apaixonava
Palavras lindas de um anjo sedutor
Trocamos juras quase um ano e foi assim
Que eu exigi um enccontro e quando a vi
Levei um susto confesso quase morri!

Não tinha nada a ver com o que sonhei
A coroa já passava de ‘titia’
Por um ano alimentei esta ilusão
Falando com a velha e sonhando com a filha.


Memórias de um peão

Composição: Desembargador José Amâncio / Leonito / Edna Teixeira

Aquela estrada preta de asfalto quente
Já foi um dia vermelha e empoeirada
Pisoteada pelos bois e cavaleiros
Que lentamente transportavam a boiada.
Ia à frente um valente boiadeiro
Chamando os bois pra boiada não estourar
Com seu berrante estremecia o grotão
Suas viagens pareciam não findar.

O dia inteiro era luta arrojada
Um boi valente, outro que extraviava
O sol poente indicava o fim do dia
Quase sem forças chegavam na pousada
Depois do rango sempre tinha um companheiro
Bom violeiro para alegrar os peões
Ao som da viola esqueciam a o cansaço
Sapateavam e curtiam as canções.

Daquela lida hoje só resta a saudade
Dos boiadeiros de um tempo que longe vai
Quando eu vejo um caminhão e a boiada
No inconsciente ouço um berrante a tocar.
Não fui peão, mas me lembro com detalhes
Ao recordar da vontade de chorar
Ouço o berrante que soa em minha mente.
E de ver um velhinho, esse velho é meu pai.

Foi o progresso que acabou com os boiadeiros
Pos asfalto nas estradas, caminhões a transportar
Hoje a boiada já não pisa no estradão
E as memórias de um peão jamais irão se apagar.


O Show Não Pode Parar

Composição: Desembargador José Amâncio e Leonito

Sou um cantor violeiro afamado
Através do rádio vocês podem me ouvir
Canções de amor que eu gravei
Para fazer o meu povão feliz
Agradeço ao senhor
Pelo dom de compor e cantar
O povão me aplaude em pé
Com amor e com muita fé
Digo que o show não pode parar

Sou violeiro e compositor
Minhas canções estão por aí
Se o cantor ganha o mundo
O compositor é a razão dele existir

Quanta saudade, paixão mal resolvida,
É a vida deste apaixonado
Sentimentos e emoções
Se transformam em versos rimados
Agradeço ao senhor
Pelo dom de compor e cantar
O povão me aplaude em pé
Com amor e muita fé
Digo que o show não pode parar


Diabo de saia

Composição: Desembargador José Amâncio e Leonito

Sempre ouvi dizer que mulher é coisa boa
Trem que não enjoa, quanto mais melhor
Dizem também ser o próprio diabo
Lisa igual quiabo, amarga mais que jiló
Só sei dizer que eu não estou nem aí
Se for bonita pode vir, como a fruta e o bagaço
Eu quero ver mais é o fogo se alastrar
Mulher nunca é demais, todas que vier eu traço

Diabo de saia é bom demais
Se tiver rabo a gente manda cortar
Diabo de saia mas que trem bão
É remédio que cura qualquer paixão

Já ouvi dizer que tem homem que não quer
Nem saber de mulher é melhor pra nós
A natureza se parece com ela
Só não é mais bela, não tem nada melhor
Só sei dizer que eu não estou nem aí
Se for bonita pode vir, como a fruta e o bagaço
Eu quero mais é ver o fogo alastrar
Mulher nunca é demais, todas que vier eu traço


Coração trocado

Composição: Desembargador José Amâncio / Leonito / Lauri

Batendo dentro do peito, às vezes descompassado
Ele não é meu amigo sempre faz tudo errado
Do lado esquerdo do peito às vezes sem jeito bate acelerado
Nunca sofre sozinho
Seguimos o mesmo caminho infelizmente estamos ligados

Coração vagabundo veio ao mundo para viver assim
No cruel abandono este coração não é certo pra mim
O que eu quero ele não quer, nós dois vivemos brigados
Só sabe judiar demais
Roubou toda minha paz, meu coração veio trocado


Volta

Composição: Desembargador José Amâncio / Leonito

O que foi que aconteceu
Será que já me esqueceu
não consigo me conformar
ou se está fazendo tipo
só prá ver se eu facilito
prá depois em dominar
se for prá jogar seu jogo
pra você voltar de novo
pros meus braços eu desejo
o que me importa é estar
ao teu lado e acordar
com o sabor do seu beijo

Volta…então…volta
vamos fazer tudo outra vez
até hoje só me ensinou a te amar
ainda não me ensinou a te esquecer

Mesmo sendo dominado
prefiro viver ao lado
de quem amo loucamente
pra tudo se dá um jeito
menos a paixão no peito
que corrói a minha mente
se for prá jogar seu jogo
pra você voltar de novo
Pros meus braços eu desejo
O que me importa é estar
ao seu lado e acordar
com o sabor do seu beijo

VOLTA…ENTÃO…VOLTA
vamos fazer tudo outra vez
até hoje só me ensinou a te amar
ainda não me ensinou a te esquecer.


Voltando à minha terra

Composição: Desembargador José Amâncio / Lauri / Leonito

Ao deixar minha cidade
Há muitos anos passados
Eu era ainda criança
Tinha um lar abençoado
Fui um filho muito amado
Todo cheio de esperança
Certo dia os meus pais
Resolveram se mudar
Pra bem longe daqui
Mandei-me pra outras bandas
E deixei de ser criança
Só Deus sabe o que sofri

A saudade era demais
Depois que perdi meus pais
Vim rever o meu estado
Quase morri de emoção
Ao lembrar de um caminhão
Que me levou no passado
Tudo aqui está diferente
Olhando pra minha gente
Sinto estremecer meu peito
As matas viraram cinzas
Secaram-se as nossas minas
– Só Deus pode dar um jeito

Na cidade de Rochedo
Onde tudo começou
No Mato Grosso do Sul
As mangueiras no quintal
Foi somente o que restou
Sob um lindo céu azul
Vi o Sol tão estridente
E fauna resistente
Mesmo assim vive feliz
Mandei-me pra outras bandas
E deixei de ser criança
Só Deus sabe o que eu sofri


Saudade pantaneira

Composição: Desembargador José Amâncio / Lauri / Mangabinha

Distante do meu Estado, pela saudade ferido,
Cheguei sonhar acordado com o Mato Grosso querido.
Sonhando sobrevoava, sob um lindo céu azul,
Nosso belo Pantanal, do Mato Grosso do sul.
O jacaré espreitava, quietinho no lamaçal
Enquanto eu apreciava aquela cena real
A boiada pantaneira tangida pela estrada
E a comitiva altaneira orgulhosa da boiada
O capataz com a guiada, dava ordens ao ponteiro
Com a guaiaca recheada, estufada de dinheiro,
Trinta e oito na cintura, com a bravura de um guerreiro,
Enfrentando a vida dura, num trabalho rotineiro.
Nos mangues alagadiços vi sucuris, capivaras,
A onça em reboliços com um bando de sussuaparas,
Cavalos gordos, roliços, revoadas de araras,
Com a brabeza dos mestiços o meu coração dispara…

Declamado: O tuiuiú magistral, a garça branca altaneira,
Ele – símbolo do Pantanal,
Ela – a rainha Pantaneira!

Vi um bando de bugios, brincando com capivaras,
Nos igarapés dos rios, juntamente com iraras.
Mansamente aterrizava junto a um rancho de sape
Onde o povão dançava rasqueado e chamamé.
De repente despertei e fiquei muito assustado
Na verdade não sonhei, eu estava acordado.
– Foi apenas um “replay” de um filme que está gravado
Jamais apaguei da mente imagens lindas do meu Estado.


Chifronildo

Composição: Desembargador Jose Amâncio / Leonito

Chifronildo recebeu de um amigo qualquer
Um alerta dizendo ter visto sua mulher
Bem vestida elegante com outro a desfilar
O homem se zangou pensou logo em flagrar

O ouro falou alto vejam que confusão
Ela não resistiu ao charme do Ricardão

Pegou os dois no flagrante confirmou o adultério
Sacou a sua arma pensando num mistério
Ele não pede mais dinheiro pra comprar nada
Parece cada dia, mais bonita perfumada

Sapatos diferentes roupa chique e importada
Celular e pingentes, elegantes e bem cuidada

Oooh, que dureza
Podem zombar e falar que sou matuto
Oooh, que dureza
Amor a três é coisa de maluco

Os baixinhos frequentando o cursinho de capoeira
Ela só desfilando numa Cherokee vermelha
Viaja e faz planos, marca no calendário
Há mais de cinco anos, mal recebo salário

Se for pra me ajudar não faço objeção
Deixo ela namorar o milionário Ricardão

Chifronildo guarda a arma, coloca na cintura
Seu espírito se acalma, se esquece da amargura
Deixe o casal feliz entre beijos e abraços
Agora está com tudo, tem um sócio no pedaço

Chego a conclusão pra não ficar por baixo
Diz pra todo mundo como é ele – eu sou o macho

Oooh, que dureza
Podem zombar e falar que sou matuto
Oooh, que dureza
Amor a três é coisa de maluco


Irmão da estrada

Composição: Desembargador José Amâncio / Leonito / Lauri

Motorista amigo que está ao volante
Levando o progresso por este Brasil
Nas rodovias mal conservadas
Enfrentando sempre perigos mil
Tome cuidado, preserve a vida,
Siga contente, sempre gentil,
Nossa Senhora Aparecida
O cubra com o manto azul cor de anil.

Motorista amigo, alma sertaneja,
Herói das estradas, que Deus lhe proteja
Motorista amigo, vai nossa homenagem,
São Cristóvão na frente, boa viagem…

Irmão da estrada você sabe bem
Quantos obstáculos terá que enfrentar
Além da distância que ficou pra trás
Entes queridos a lhe esperar…
Madrugadas frias, faróis e neblina
Visão encoberta, curvas fechadas,
Marchas reduzidas, e as mãos no volante,
Sempre avante nosso irmão da estrada

Motorista amigo…

Todas as vezes que me der carona
Através do rádio me sentirei feliz
Pois o violeiro e o caminhoneiro
Estão sempre juntos por este país
Se você viaja sempre carregando
Cargas pesadas em seu caminhão
O sertanejo viaja cantando
Levando no peito a carga da paixão


Faz de conta

Composição: Desembargador José Amancio / Mangabinha / Leonito

Faz de conta que você ainda me ama
Vem aqui em nossa cama e faça tudo como antes
Faz de conta que eu sou seu galã
Você é a minha fã, a mais doce das amantes

Vem fazer desta noite a mais bela
Tranque a porta e a janela pra não ver passar as horas
Põe aquela camisola excitante
Faça comigo o bastante nesta noite que é só nossa

Depois de uma noite de prazer
Posso até compreender se você disser um não
De repente a gente pode se entender
O amor possa renascer em seu meigo coração

Vem sentir meu corpo em chamas
Vem amor me ama, me ama


De ponta-cabeça

Composição: Desembargador José Amancio / Lauri

O país pede socorro, está formada a confusão
Esta de ponta cabeça podem prestar atenção
É cena até comovente brigas entre tubarão
Os grã-finos de gravata bravos iguais leão
No rosto do companheiro já estão chegando a mão
Não da pra acreditar que governam a nação

Existe uma guerra interna governo e oposição
Tem gente que comeu gordo com o dinheiro do cartão
A historia da tapioca virou uma gozação
Devolveu o que gastou e não saiu do panelão
É muito feio para eles trocando acusação
É uma briga em família de irmão contra irmão

Agora fica a pergunta, como fica o cidadão
Pois a classe mais carente esta passando privação
Onde esta o dinheiro da saúde e educação
Tem doença sem controla, matando de compaixão
Sem falar em outros problemas de sua obrigação
Pra consertar este mundo só Deus colocando a mão

O povo anda perdido não encontra solução
Tenho pena das crianças crescendo sem proteção
Idosos morrendo a mingua sem a devida atenção
Salário dos aposentados não dá pra comprar o pão
O dinheiro só entrando no bolso do folgazão
Que dá uma de honesto só em tempo de eleição

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